O segundo debate do ciclo “Jornalismo e as eleições presidenciais” uniu representantes de seis grandes veículos de comunicação do meio impresso e radiofônico na manhã desta terça-feira (15/08), no auditório da Fecomércio, no Rio. Durante o debate, eles acabaram descobrindo que não é só o imediatismo que eles têm em comum. Os dois meios são interdependentes.
“Ficamos um pouco receosos em juntar o meio mais antigo e o mais recente. No entanto, decidimos fazê-lo por serem os mais imediatistas da imprensa”, disse a mediadora do debate, Cristina Vaz de Carvalho, e representante do Informativo Jornalistas & Cia, organizador do evento.
Participaram do encontro Giovanni Faria, gerente-executivo de Jornalismo do Sistema Globo de Rádio; Mauro Silveira, chefe de Redação da BandNews FM no Rio; Edna Dantas, coordenadora de Jornalismo da Rádio Nacional/Radiobrás no Rio; Roberto Feres, gerente de Jornalismo da Rádio Tupi, Raquel Almeida, editora-executiva de Conteúdo do Globo Online, e Guilherme Fiúza, colunista de política do site NoMínimo.
Mas não é só o critério do tempo que liga rádio e internet. Os dois trabalham com redações relativamente jovens. “É muito desafiador transformar a redação numa sala de aula. Mais da metade da nossa equipe nunca cobriu uma eleição”, disse Faria.
Fora a extrema relação que rádio e internet têm com o público leitor. “Temos àquele ouvinte que se ouvir uma notícia na CBN vai ligar para a Rádio Tupi e saber porquê ainda não demos. No rádio, o âncora mal acaba de dar a notícia e já tem ouvinte ligando para comentar”, relata Feres. “Já escrevi posts com 400 comentários”, conta Fiúza.
Para as eleições deste ano, a grande novidade da internet é a explosão dos blogs. “A marca dessa eleição é a opinião dos leitores e dos colunistas através dos blogs”, analisa Raquel.
Única representante de uma empresa pública a participar do debate, Edna Dantas falou das dificuldades que a Radiobrás tem enfrentado em busca de uma cobertura apartidária e imparcial. “Nós não fazemos jornalismo chapa-branca. Se pensarmos bem o nosso chefe, o nosso patrão é o cidadão brasileiro”. Edna contou também que na tentativa de não confundir a cobertura rotineira e de atividades do presidente, a Radiobrás criou uma equipe específica para trabalhar só com as matérias das eleições. “Não é censura, queremos seguir um padrão, criamos um Código de Ética que todo o jornalista da empresa tem que seguir”.
Apesar de algumas opiniões conflitantes, natural em um debate, os participantes chegaram a um consenso: a internet deixou sim, os jornalistas mais acomodados. O repórter pode conseguir a informação sozinho, mas ele espera a notícia sair na web. “A internet pode servir como pauta, mas não pode ser fonte, nem produto final”, alerta Silveira.
Fonte: Comunique-se
1 comentário, (302 leituras) Outros artigos de, mari1985
A questão da ética na imprensa é muito importante, principalmente em anos de eleições, quando o leitor/ouvinte/telespectador utiliza os meios de comunicação como fonte de informação e toma decisões a respeito do futuro do país com base no que ouviu da mídia durante os períodos de campanha eleitoral. Ninguém tem obrigação de conhecer os candidatos e seu passado, quem difundi essas informações para a população são os jornais, rádios, internet e a TV. É muito importante ter a consciência de que o povo é o “patrão” dos jornalistas, ou pelo menos deveria ser. Porém, hoje em dia, todos sabem que esse jornalismo romântico não existe mais, ele deu lugar a um jornalismo de interesses, onde o que comanda tudo é o capital e os interesses existentes entre os grandes chefes dos meios de comunicação e os políticos. Edna Dantas pode tentar criar um código de ética, mas o que vence é a ética capitalista!
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